Atualizado: 24 de julho de 2026.
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DIESTRONG (do inglês, morrer forte) é uma filosofia de vida para viver com força até o seu último suspiro, e usa a morte para aumentar a clareza, a urgência e a ação. Não apenas força física. Força mental, espiritual, financeira, em relacionamentos...em todos os aspectos da vida. Começa na academia e se transfere para todos os cantos da sua vida, incluindo as pessoas ao seu redor.
No começo, eu escrevi o DIESTRONG para mim. De várias maneiras, ele surgiu de longas conversas que eu tive comigo mesmo.
Eu fui para a minha cidade natal no Brasil, Porto Alegre, para fazer uma cirurgia, vinte anos depois de ter partido para os Estados Unidos. Era para ser só dois meses. Acabou se transformando em nove por causa de complicações cirúrgicas, e isso me deu algo que eu normalmente não tenho: tempo de verdade para pensar e refletir, por mais tempo e com mais profundidade, no lugar onde tudo começou. Eu refleti muito sobre o que eu quero para a próxima fase da minha vida. Começou como um manifesto, deixando claro minha filosofia de vida. Depois virou princípios pelos quais eu tento me guiar. Eu sou do tipo que pensa visualmente, então eu organizei esses princípios em um framework que fizesse sentido para mim. Em algum momento eu comecei a compartilhar isso com amigos próximos, e eles me disseram: "Você precisa transformar isso em algo que a gente possa usar". Então eu escrevi. E escrevi. E, por fim, aqui estamos.
Essa versão é diferente. Essa é para você. Mas eu não estou escrevendo como um guru. Eu estou escrevendo como alguém que está aprendendo e construindo isso em tempo real. Em algumas áreas eu tenho mais experiência do que em outras, mas eu não sou especialista em nada. Eu nunca sequer considerei escrever um livro, muito menos sobre um assunto desses. Filosofia de vida?
Afinal, o que é uma filosofia de vida? E por que deveríamos nos importar com isso? Uma filosofia de vida é uma maneira de pensar sobre a vida que diz o que realmente importa para você e como agir de acordo com isso. É o seu guia, a sua bíblia. Não tem nada de acadêmico nisso. E você já tem uma, quer tenha escolhido ou não. Se você nunca parou para decidir qual é a sua, você absorveu uma da sua família, da sua cultura, da sua religião e das pessoas ao seu redor, e ela está tomando suas decisões por você neste exato momento. A minha é a DIESTRONG.
Mas uma filosofia pode acabar virando uma coleção de frases bonitas se você nunca colocá-la para funcionar e não a colocar à prova nos momentos difíceis da vida. Como transformar uma maneira de pensar sobre a vida na vida que você realmente quer viver? É aí que entra o framework. Um framework é uma ferramenta para organizar ideias complexas em algo útil. Existem frameworks para desenvolvimento de software, gestão de empresas, direito e saúde, para quase qualquer assunto em que você precisa entender alguma coisa, planejar e executar. Quase nenhum deles cobre tudo dentro do seu assunto, ainda mais algo tão complexo quanto a vida, então você monta seu kit de frameworks e usa cada um para entender as coisas por ângulos diferentes.
A filosofia DIESTRONG explica o porquê. O framework mostra como. Mas ele não foi feito para ser o seu único framework na vida.
Eu passei a maior parte da minha vida até então focado mais no meu desenvolvimento, e no crescimento dos times e organizações dos quais eu fiz parte. Minha saúde, minha educação, minha carreira, minha estabilidade financeira. Eu quero dedicar a próxima fase aos outros, a tornar as pessoas mais fortes. Esse é o legado que eu quero deixar. Eu quero que o DIESTRONG faça parte do meu legado, e eu acho importante contar de onde veio o nome. DIESTRONG não é a abreviação de DIEGO STRONG. É a união de DIE e STRONG, morte e força.
A força veio primeiro.
Eu tinha 13 anos quando eu entrei pela primeira vez em uma academia. Eu estava acima do peso, era asmático, sofria bullying e era invisível para as meninas. Eu só queria perder um pouco de peso e ter uma vida "normal". O que eu ganhei, em vez disso, foi a descoberta na qual todo este livro se baseia: a força se transfere. O que eu construí naquela academia se refletiu na maneira como eu dormia, como eu comia, como eu estudava e, por fim, em um emprego de comissário de bordo aos 18 anos, que financiou uma viagem só de ida para os Estados Unidos, um diploma que eu paguei com bolsas esportivas e acadêmicas, sem dívidas, e uma carreira nas áreas de finanças, entretenimento e tecnologia, de Wall Street ao Vale do Silício. Nada disso teria acontecido se eu não tivesse entrado naquela academia aos 13 anos, onde eu aprendi pela primeira vez que, se eu conseguisse mudar meu corpo, eu poderia mudar a trajetória da minha vida.
A morte veio depois.
Eu já passei por algumas situações de risco. Eu quase morri em um acidente grave de bicicleta há mais de vinte e cinco anos. De lá para cá, eu fiz cinco cirurgias por causa do acidente, cada uma com mais complicações que a anterior: duas infecções, rabdomiólise grave e consciência anestésica, quando eu conseguia ouvir os médicos brincando enquanto colocavam minha cabeça de volta no lugar e eu não conseguia me mexer, não conseguia falar, não conseguia dizer a ninguém que eu estava acordado. Dois assaltos à mão armada. Em um deles, o cara enfiou a arma na minha boca e ameaçou puxar o gatilho se eu não abrisse a porta da minha casa, onde a minha família estava dormindo. Isso foi há vinte anos e eu ainda sinto o gosto do metal da arma.
Eu também perdi duas das pessoas que mais me moldaram. Minha avó morreu à mesa de jantar, cercada pela família que ela passou a vida inteira mantendo unida. Meu pai morreu sozinho, afastado de todos e endividado, pelas próprias mãos. A dicotomia entre as mortes deles moldou a maneira como eu penso sobre a vida, sobre o que a gente deixa para trás e sobre o que eu escolho construir enquanto estou aqui. Cada um deles era forte à sua maneira: ela, pela presença; ele, pela determinação. E cada um dedicou essa força a algo que desmoronou assim que não estavam mais lá para sustentar. Eu vou falar mais a fundo sobre os dois no capítulo Legado.
Todos esses acontecimentos me fizeram pensar no meu próprio fim e em como eu queria viver até aquele último momento, mas eu ainda não conseguia colocar em palavras o que eu realmente buscava. Eu tinha a sensação. Eu não tinha um nome para ela. Até o dia em que eu vi uma camiseta.
Eu estava em Cingapura a trabalho e eu vi um cara no meu hotel com DON'T DIE (não morra) estampado no peito. Conversamos rapidamente. Era Bryan Johnson. Eu nunca tinha ouvido falar dele. Eu fui pesquisar porque ele ia palestrar em um evento sobre longevidade para o qual eu tinha sido convidado. Fundador de uma empresa de tecnologia que vendeu a empresa e agora gasta uma fortuna em um único objetivo: não morrer. Centenas de biomarcadores monitorados, uma dieta rigidamente controlada, protocolos experimentais, o envelhecimento tratado como uma doença a ser derrotada.
Eu tenho muito respeito pelo que ele está fazendo. Ele poderia ter se aposentado ou fundado mais uma startup de fintech, mas escolheu trabalhar no que eu considero a coisa mais importante da vida: a saúde. Ele leva isso muito a sério, financia sua própria pesquisa, mantém um nível de disciplina que quase ninguém consegue sustentar e se recusa a aceitar o declínio como algo inevitável. Ele também está levando uma enxurrada de zoeira por causa disso, e eu não tenho interesse nenhum em fazer parte disso. Ele foi generoso com o tempo dele e genuinamente gentil. E eu sei como é ser alvo de risadas por causa do seu corpo. Eu sofri bullying quando eu estava acima do peso. Eu sofri bullying quando eu entrei em forma.
Eu acho que nosso trabalho é complementar. A missão dele é estender nossa expectativa de vida o máximo possível, e se essa pesquisa nos der mais anos, eu vou aceitar, e você também. Minha missão é sobre o que fazemos com os anos que já temos. Os dois problemas são importantes, mas eu considero o meu mais urgente, porque bilhões de pessoas não estão fazendo o básico para ter boa saúde agora, e porque o que eu estou construindo vai muito além da saúde.
Foi daí que veio o nome DIESTRONG. Eu vinha pensando nisso há anos sem ter uma palavra para descrever, e uma camiseta que dizia DON'T DIE acabou sendo exatamente o que eu precisava ver.
As pessoas me perguntam por que é DIE e não GROW STRONG (crescer forte) ou BUILD STRONG (construir forte). Qualquer uma dessas opções seria mais fácil de vender. Quem quer usar 'morrer' no peito como afirmação? É que se você morre forte, é porque cresceu forte, construiu forte, viveu forte o caminho inteiro até o fim. Você pode ter uma fase da vida em que foi forte e depois ver tudo desandar, entrando naquele declínio lento e doloroso que todos dizemos querer evitar. Aquele em que as pessoas ao seu redor começam a se perguntar quando você finalmente vai partir.
Eu prefiro viver com a força de um leão até os 80 do que esticar a vida ao máximo como um gatinho fraco. O objetivo não é evitar a morte. O objetivo é chegar nesse momento orgulhoso de como você viveu, do que você construiu e de quem você deixou mais forte. Um último rugido bem alto, e então seguir para a próxima aventura.
Live fully. Die strong. Viver plenamente. Morrer forte.

O Inimigo
A maior parte do que está neste livro, você já sabe. Você sabe que deveria dormir mais e ficar menos tempo no celular. Você sabe que aquela conversa que vem evitando precisa acontecer. Você sabe qual relacionamento está te esgotando e qual hábito está tirando anos da sua vida. Ninguém precisa de mais um artigo explicando que vegetais fazem bem ou de mais um vídeo ensinando a fazer agachamento direito. Saber não é o problema. Fazer é que é.
E, de vez em quando, a vida te dá um empurrãozinho para mudar. Um susto. Um diagnóstico. O funeral de alguém. Um aniversário com zero no final. Por uma ou duas semanas, tudo fica óbvio. Você sabe exatamente o que importa, exatamente o que você tem que cortar, exatamente para quem ligar. Você se sente imparável.
Mas aí, isso vai passando. A urgência fica enterrada sob e-mails, reuniões e as distrações comuns da vida, e algumas semanas depois nada mudou.
É essa lacuna que este livro veio preencher. A clareza é o ponto de partida, mas por si só não adianta nada. O que transforma a clareza em uma vida melhor é a ação. E não é ficar correndo por aí fingindo estar ocupado. É uma ação consciente. É por isso que você precisa de princípios pelos quais você realmente vive, sistemas que funcionam até no seu pior dia, padrões que você não renegocia toda manhã.
Sem essa estrutura, você fica à deriva.
A deriva é nossa inimiga. Ela não se anuncia, e não é uma decisão que você toma. A deriva é o lento acomodar-se em uma vida que você não planejou nem construiu deliberadamente: um trabalho que te esgota, hábitos que te enfraquecem, relacionamentos que te diminuem, anos que passam enquanto você diz a si mesmo que o trabalho de verdade vai começar logo que isso ou aquilo passar. Ninguém fica à deriva de propósito. Você simplesmente acorda um dia mais longe de onde pretendia estar do que consegue explicar.
E a deriva não vem sozinha. Ela traz companhia: pensar pequeno, fugir de tudo que exige coragem, escolher sempre a opção mais confortável e tratar as pessoas ao seu redor como se fossem secundárias. Eu tenho uma palavra para quem vive assim: frango. Você já conhece. Na academia, é o cara (ou a mulher, franga) que não treina de verdade. Cumprindo tabela. Meia repetição. Celular entre as séries. Sempre com o peso que já sabe que aguenta. Está lá, e até tira uma selfie para provar. Só não está fazendo o trabalho que precisa ser feito para evoluir.
Eu estou usando frango num sentido mais amplo, porque a maneira como você se comporta na academia é como você se comporta em casa, na escola, no trabalho. Em todo lugar. A academia é um dos poucos lugares honestos que ainda restam. Você não pode fingir uma série, não pode delegar um treino, não pode pegar o corpo de outra pessoa emprestado para fazer o trabalho por você. O que quer que você faça debaixo de uma barra quando a coisa fica desconfortável é o que você faz no resto da sua vida quando a coisa fica desconfortável. Observe alguém treinar uma vez e você vai saber mais sobre essa pessoa do que dez reuniões poderiam te dizer. É por isso que eu sempre levo para treinar comigo quem eu penso em trazer para perto, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. Na academia, o frango não tem onde se esconder.
Então, em DIESTRONG, frango não tem nada a ver com o tamanho ou a força que você tem. Você pode ser o cara mais grandão da academia e ainda assim ser um frango. Não é sobre seu corpo. É sobre como você pensa. Seu comportamento. Frango não é ser pequeno. É pensar pequeno. Desculpa em vez de trabalho. Ocupado demais para dormir. Sem tempo para treinar. Velho demais para começar. Novo demais para se preocupar.
O frango representa tudo o que este framework foi criado para lutar contra. Enquanto o DIESTRONG diz "escolha sua identidade", o frango aceita qualquer uma que venha a cair. Enquanto diz "mantenha o padrão", o frango negocia para baixo. Enquanto diz "desenvolva as pessoas ao seu redor", o frango nem se dá ao trabalho de se desenvolver.
Todo mundo age um pouco como frango às vezes, inclusive eu. É por isso que eu escrevi DIESTRONG primeiro para mim. É também por isso que eu fui o primeiro a usar DON'T BE A FRANGO (não seja frango) no peito, e eu ainda uso todo dia.
Onde quer que eu vá, eu recebo elogios pela camiseta. E quando eu conto às pessoas o que está por trás disso, elas gostam ainda mais. Então eu pergunto: você quer uma? Está disposto a usá-la e encarar a si mesmo no espelho todos os dias?
E você?

O Que Você Ganha Aqui
O DIESTRONG é para qualquer um que queira lutar contra o frango que tem dentro de si.
Se esse é o seu caso, aqui você aprender a construir sua própria versão de DIESTRONG, camada por camada. Mas eu não vou te dar as respostas. Eu estou te dando a estrutura para construir a sua filosofia de vida e o seu framework, e ações recomendadas para construir sua vida com eles, com base nas seguintes áreas:
A Fundação constrói a sua capacidade de executar. Um corpo saudável e com muita energia, uma mente que se governa bem mesmo sob pressão e um espírito que se mantém firme quando a vida parece se tornar contra você. É aqui que todos os princípios do livro são aprendidos primeiro, fisicamente, antes de serem aplicados em qualquer outro lugar.
A Bússola te ajuda a definir quem você é e para onde mirar. A identidade que você escolheu em vez daquela que herdou, os valores que você vai defender a qualquer custo e a missão que decide para onde vão as suas horas limitadas.
As Arenas são onde você contribui: Família, Trabalho e Cidadania. É aqui que o trabalho interno se torna visível para as outras pessoas e impacta a vida delas.
O Legado é o que continua crescendo mesmo depois que você partir. Você vai escrever uma Declaração de Legado que define o que você vai tornar realidade, e um Plano de Legado que transforma isso em ações na sua agenda desta semana.
Nada disso fica só na teoria. O framework tem 3 camadas, 9 pilares, 27 práticas e 81 princípios. Cada princípio vem com três ações que eu escolhi porque fazem a maior diferença. São 243 ações, e o livro vai ter muitas outras com o tempo. Cada prática também vem com uma autoavaliação para você saber onde realmente está, e uma seção Coloque em Prática que transforma a leitura em algo escrito e agendado. Você vai passar por isso 27 vezes! No final, você vai ter a sua própria versão do DIESTRONG, com as suas palavras, construída para a vida que você quer viver agora e pela qual você quer ser lembrado.
Você vai parar de ficar à deriva. Você vai começar a construir com propósito. Você vai viver com força, até o fim. É isso que significa construir, viver e morrer forte (build, live, and die strong).
Você está lendo uma versão beta deste livro. Eu estou publicando ele aqui em partes, uma camada a cada duas semanas mais ou menos, enquanto eu ainda estou escrevendo e editando. Isso significa que você está recebendo a versão inicial e que o seu feedback realmente molda o que este livro vai se tornar. Se algo fizer sentido, me diz. Vamos construir isso juntos.
Leia o Manifesto DIESTRONG (em voz alta, me deixe orgulhoso!).
Depois, comece pelo Framework DIESTRONG. É aqui que transformamos a filosofia em ação.